Desde sempre eu acho você legal, diferente, extrovertida e inteligente e por isso quis você pra ser minha amiga. Mas você não é mole, você tem aquele jeitinho pra mudar a situação e fazer eu me sentir culpado e escutar suas histórias sem que você nunca ouça as minhas. Eu também tenho coisas pra contar.
Desculpa se eu gosto de você, se eu dou valor à nossa amizade. Não considerava ela descartável, rotineira ou passageira. Mas eu entendo que o mundo pode dar voltas, só que essa volta foi sua opção.
Agora, mais uma vez, quem se sente culpado sou eu, e me sinto esquecido. Desculpa também, se eu tenho essa alma depressiva, mas que pra você é só uma alma estúpida, que só tem problemas inferiores aos seus grandes dilemas sentimentais. Eu não posso jogar na sua cara isso, porque eu não sou assim, porque você tem seu jeito de subverter as coisas, de pensar que você está no centro de tudo. E claro, o carrasco serei eu.
Claro que você não precisa, mas você deveria ter falado comigo. Aquele fato passageiro pra você, me deixa inquieto até hoje, porque eu não sei de quem é a culpa. O que eu tenho plena certeza é de que você pode fazer com que eu me sinta culpado.
Eu te admiro mesmo – e isso pode soar ridiculamente apaixonado – pela sua capacidade, pela sua força intelectual. Eu queria ter um pouco dessa sua segurança, dessa sua certeza. Porque você se imagina fraca, mas você simplesmente não é.
Querida, só não quero que você esqueça que eu já falei de flores.
Ai, como isso soou idiota…